Bioética em conferência de final de ano académico

Para lançar a edição revista e aumentada do “Manual de Bioética para Jovens”, tivemos a honra de ter nos Álamos, no final do dia 9 de Maio de 2018, Teresa Tomé Ribeiro. Professora adjunta da Escola de Enfermagem do Porto e mãe de 8 filhos, com ampla experiência profissional como enfermeira, mestrado em Psiquiatria e Saúde Mental e doutoramento em Bioética, a nossa convidada ajudou-nos a refletir sobre a importância da ética, tendo presentes os temas e debates em curso na sociedade portuguesa.
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Começou por definir ética como “reflexão sobre o meu agir”.

Fazendo incidir a análise sobre a realidade, afirmou que “eu sou o que pratico, não o que digo que sou; é na minha ação que os outros me identificam”, chamando a atenção para a diferença entre “viver uma vida boa e uma boa vida”.

A nossa convidada considera não haver diferença entre ética e moral, sendo que a moral faz mais referência a normas externas, reconhecidas pela sociedade.

Na reflexão ética importa ter presentes, afirmou, o tempo e a cultura da sociedade a que se pertence.

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Contrariando a fácil indiferenciação com que é possível passar pela vida, afirmou que “cada um é pessoa humana, mas é cada um que, ao longo da sua vida, se humaniza, …ou não”, salientando a importância de se ser pessoa no confronto com o outro.

Utilizando analogia com o mar, referiu a importância de se “conhecerem as correntes do mar em que se navega”, ou seja, de aprofundar os assuntos que são objeto da reflexão ética. E de os dominar, não ficando apenas na espuma – neste caso a “espuma” dos sentimentos, das emoções… – que frequentemente podem enganar. O que interessa de facto é a onda em si mesma, a massa de água que se desloca e que tem o verdadeiro impacto, não a espuma que habitualmente a acompanha mas que está à superfície, sem força efetiva…

Chamou a atenção para o facto de algo ser legislado não ser sinónimo de ser moral. Idealmente a lei deve ditar o bem para a sociedade, mesmo que a sociedade não o queira, porque dominada por pressões várias… Mas é porque isso muitas vezes não acontece que existe a objeção de consciência.

Seguidamente referiu alguns dos temas atuais com os quais o Manual nos confronta. Ficam aqui apenas alguns tópicos, tendo sobre muito deles havido questões colocadas por parte da assistência à oradora:

  • PMA (procriação medicamente assistida) e barrigas de aluguer
    • Criança utilizada como meio para realizar o projeto da mãe
    • Perder a identidade dos pais implica não conhecer a própria identidade
    • Só se tem direito a algo se sozinho se pode chegar naturalmente a isso; por isto não há “direto a ter um filho”; pode-se, sim, ter direito à possibilidade de ter um filho
  • QUESTÕES DE GÉNERO
    • Surgem mais recentemente, ligadas à linha do voluntarismo
    • MAS a realidade é que a condição humana tem limitações que corresponde a nossa base genética. Há a realidade, que é inegável
    • Importância de não tratar de igual modo o que é desigual. Valorizar as diferenças, a diversidade.
  • MORTE A PEDIDO / SUICÍDIO ASSISTIDO
    • Se não se consegue viver de determinada maneira, a obrigação que há é de aliviar, não de eliminar
    • Ninguém pede a morte, não é humano; pede, sim, a “morte” da vida que leva, havendo assim necessidade de mudança

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O tempo esgotou-se mas nem por sombras os temas que nos detiveram no fim de tarde desta 4ª feira de Maio!

Pela sua escassez, pelo objetivo imediato deste evento – o lançamento da nova edição do Manual de Bioética para Jovens – e a abrangência dos temas tratados, todos os presentes deixaram os Álamos sentindo a necessidade de continuar a aprofundar e debater este temas, para o qual o Manual agora lançado (patrocinado pela Fundação Jerôme Lejeune, disponível em pdf online e para aquisição em papel nos Álamos), será sem dúvida um excelente contributo.

E os Álamos cá estarão preparados para continuar a acolher, como até agora, eventos com temas como estes, essenciais à pessoa e à vida em sociedade.

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