25 anos dos Álamos numa quinta do séc. XVIII

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“….foram centenas de raparigas que nos Álamos encontraram não apenas um alojamento durante os seus estudos universitários em Lisboa, mas uma casa onde cada uma pode crescer e se pode formar integralmente como pessoa, num ambiente de forte exigência no estudo e delicada vida de família”

 

Por motivos profissionais, tive que passar o mês de julho de 2017 em Lisboa e tive a sorte de poder residir na Residência Universitária dos Álamos. Para mim, não se tratava de mais uma estadia, era a última estadia na minha primeira residência. Vou explicar:

Afortunadamente, fiz parte do pequeno grupo de pessoas que em outubro de 1991 iniciou a Residência Universitária dos Álamos na Alameda das Linhas de Torres n.º 35.
 
A Residência já tinha existido noutra sede nos anos 60-70, no Campo Grande, mas acabou a sua atividade no período pós revolução de abril de 1974, e passaram os anos sem possibilidade de abrir novamente. Era um sonho de que se falava muito e que se cumpriu em 1991, com a reabertura da Residência, então na freguesia do Lumiar.

As minhas lembranças desses inícios continuam ainda muito vivas na minha memória porque eu era muito nova e porque foram momentos de grande intensidade vital.
 
Da primeira vez que vi a casa fiquei extasiada: aquele edifício pintado de cor-de-rosa forte pareceu-me um pequeno palácio saído de um conto. Logo à entrada tinha um amplo e luminoso hall que dava lugar a um pequeno jardim, um verdadeiro luxo naquele lugar rodeado de prédios altíssimos. Mas essas instalações correspondiam apenas à zona dos serviços da enorme casa senhorial do século XVIII, sita no n.º 33! Por isso, embora nesse momento dispuséssemos de várias zonas comuns, tínhamos poucos quartos, de modo que nesse ano tivemos poucas residentes. Com a aquisição do número 33 em anos posteriores, vieram as obras e a ampliação dos quartos, salas e bibliotecas… e o aumento do número de residentes!

As zonas comuns incluíam uma grande e luminosa sala de estar, duas ótimas salas de estudo, um magnífico auditório apetrechado com as últimas tecnologias do momento e uma linda e sóbria capela, com um retábulo da Nossa Senhora de Guadalupe, muito simples e recolhido. Ali se celebrou a primeira Missa na primeira semana do mês de outubro.
 
E, na semana seguinte, a residência foi oficialmente inaugurada com a realização de um curso, de uma semana de duração, orientado para universitárias das áreas de economia e gestão. As inscrições foram muitas porque o curso era ministrado com grande nível por professores da AESE – Escola de Direção e Negócios. Porém, a casa ainda não estava completamente pronta. De facto, só estavam instaladas completamente o auditório e as salas de estudo. Não dispúnhamos de cozinha e o curso incluía o almoço diário de umas 40 pessoas. Logicamente as refeições tiveram de vir de fora, do restaurante “O Magriço” que ficava muito perto. Lembro-me perfeitamente do dono que vinha pela rua fora todos os dias carregado com os tachos e as panelas. Também não tínhamos louça, de modo que pedimos a pessoas conhecidas para nos emprestarem pratos, copos e talheres. Dessa forma, conseguimos uma “baixela provisória”, multiforme e colorida. No entanto, uma vez acabado o almoço, ainda vinha o mais difícil, que era lavar e arrumar tudo apenas com um pequeno lava-louça, mas sem armários nem bancadas, nem nada… Tudo tinha de ser feito à mão o que tornava a tarefa muito demorada. As tertúlias decorriam no jardim ou no espaçoso hall de entrada, que desde então passou a servir para tudo, convertendo-se num espaço multiusos. O curso foi um sucesso e lembro-me que as assistentes nos ofereceram como prenda bastantes pratos e copos para próximas ocasiões. Acabada essa semana, respirámos tranquilas por ter ultrapassado com êxito o primeiro desafio. Graças a Deus, desse grupo de universitárias algumas continuaram a frequentar a residência.

Entretanto, as obras continuavam no resto da casa, que necessitava limpezas profundas antes de virem os móveis. Pedimos ajuda às nossas amigas e assim, entre todas e em poucas semanas, a residência começou a funcionar com normalidade. Na altura, enquanto limpava, só podia pensar nas futuras estudantes que passariam por ali no decorrer dos anos…
 
E agora, regressando ao presente, dou muitas graças a Deus por ter visto como esse sonho se tornou realidade. Com efeito, nestes quase 26 anos, foram centenas de raparigas que nos Álamos encontraram não apenas um alojamento durante os seus estudos universitários em Lisboa, mas uma casa onde cada uma pode crescer e se pode formar integralmente como pessoa, num ambiente de forte exigência no estudo e delicada vida de família.

Nestes dias passados nos Álamos fiquei especialmente comovida pelo ambiente de generosidade que existe entre todas estas raparigas, que com toda naturalidade se levantam da mesa para mudar os pratos ou lavam e recolhem a louça depois de cada refeição…

Agradeço a Deus ter sido testemunha direta tanto do início como do final da Residência na Alameda das Linhas de Torres, n.ºs 33-35. A partir de agora, setembro de 2017, os Álamos estão numa casa nova! Tenho a certeza de que o maravilhoso ambiente de família e estudo que se criou no “pequeno palácio” do século XVIII será agora igualmente vivido numas instalações modernas, mais adequadas ao século XXI. Porque o importante não é o lugar físico, mas aquilo que as pessoas trazem consigo no seu interior.
 
Oxalá daqui a outros 25 anos possa escrever um outro testemunho a partir do Campo Grande, n.º 189!

 

Carolina Gil Rostra
Professora de Português na Escuela Oficial de Idiomas de Valladolid
Valladolid, 17 Setembro 2017

Album on-line com fotografias dos Álamos na Alameda das Linhas de Torres, nº35

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